Porão (Não Entre)



Ah, droga. Não entre aqui. Você vai se arrepender. Não, é sério. Para. O corredor está escuro, não está vendo?
É melhor você parar, vi uma sombra de você. Olhe para trás. Certifique os espelhos. Nunca se sabe. Olhe em volta.
Esse porão é assombrado. É sério. Não abra a porta. A última pessoa que abriu nunca mais voltou... eu não estou brincando! Não está ouvindo esses sussurros?
Ai meu Deus, não abre isso. Nãããão. Droga. Você é insistente. Guarde a chave. Por favor, guarde. Isso. 
Não entre aí. Você é idiota? Eu disse para não entrar!
Isso foi um grito? Ai meu Deus, eu vou embora. Por favor, vem comigo.
Está chovendo! Está escuro e relampejando! 
Não consigo ver nada...Toma, aqui tem um fósforo. Está ouvindo as goteiras? O que é isso? Latidos? Deve ser dos cachorros e lobos lá fora. Esse lugar é estranho. Tem um piano ali no canto. Está ouvindo uma música? Bem leve... pois é. O morador dessa casa era pianista. Foi brutalmente assassinado. Ninguém nunca mais conseguiu tocar o piano. A música ecoa. 
Ouviu uma gargalhada? Cortante. Sussurros. Aquela janela, no final do cômodo. Algo escrito... "fuja"? Acho melhor a gente ir embora.
Por favor, eu te imploro.
Vamos embora. Feche esse lugar agora. Vamos correr e ver algum seriado fofo e bonitinho. Não vamos ficar aqui. Ah, droga, esse lugar está cheio de aranhas. Por favor, eu não estou me sentindo bem. Não, não vá para essa estante. Vai saber que diabos tem aí.
Não pega esse livro! Você não sabe o que é!
Que ideia ridícula! Eu quero ir embora. Por favor, me dê a chave. AH! Viu? A porta fechou. Vamos embora daqui! É sério! Estou com medo! Não abra o livro!
E se for algo maligno?Não leia nada! Essa casa era onde tinha antigas reuniões de grupos sádicos. Que horror, não leia isso. Por favor, não!

Era de noite. Mariana fechou o livro e apagou a luz. Estava sozinha em casa, para que dormir cedo? Isso não era típico dela. Aninhou-se no meio das cobertas e fechou os olhos. Estava começando a sonhar, quando, de repente, a porta do armário abriu. Ela se levantou. Olhou dentro. Nada. Deveria ser o vento. Fechou a porta e deitou na cama. Sonhava como seria a aula de amanhã. Chata, como sempre? Um barulho de porta abrindo. Era o armário de novo. Impaciente, fechou com mais força a porta. Voltou para a cama. Tinha perdido o sono. Então, a porta se abriu com um estrondo. "Mas que diabos!" Disse com raiva. Mas viu, de repente, um pequeno envelope no fundo do armário. Abriu. Lá continha uma pequena chave. "Ela observou a chave e riu. Como sua irmã pode ter sido tão idiota á ponto de achar que Mariana cairia nessa? Voltou para a cama pensando se deveria falar com os pais sobre as dobradiças e fechaduras fracas dos seus moveis. Conseguiu dormir sem incômodos dessa vez, seus sonhos foram perturbados, com imagens de véus negros, como os dementadores da morte, do filme que vira durante a tarde. As criaturas passavam na sua frente, tentando metê-la em uma emboscada.Acordou suando, e ao mesmo tempo, com um sorriso bobo no rosto, olhou no relógio, faltava um minuto para o despertador tocar, chamou sua irmã, e foi para o banheiro, enquanto tomava banho, ouviu um grito ensurdecedor, e sentiu algo vermelho escorrer pelo rosto, era sangue.Enrolou-se na toalha, sua irmã não estava mais no quarto, um arrepio levantou cada pelo de seu braço quando se lembrou do grito. Vestiu-se, e desceu para tomar café, a irmã já tinha saído, segundo a empregada da casa. Era uma sujeita assustadora, de cabelos brancos presos em um coque horrivelmente espalhafatoso, tinha grandes olhos negros marcados por expressões, sua boca era formada por dois traços finos que mal se mexiam enquanto ela falava.Durante o caminho, um vento frio, e muito forte, desses que você consegue ouvir arvores gritarem, passou por Mariana, "típico de outono", ela pensou, enfiou as mãos no bolso, e sentiu um papel lá, uma bolinha pra ser exata, desamassou, havia nele o desenho de uma porta, uma porta que não lhe era estranha, guardou a bolinha na mochila e seguiu seu caminho.A escola estava vazia, devia ter 10 alunos lá, ela olhou em volta, disse um oi seco e assustado para um professor corcunda que passou ao lado dela.-O que esta havendo? - perguntou para uma das inspetoras.-O tempo estava muito frio, os alunos decidiram não vir, acho que deve ir embora. - sua voz estava modificada, tensa, estranha, enfim.Deu meia volta e decidiu ir para casa. No caminho, passou pelo grande casarão da rua da escola, olhou para cima, e uma garota estava parada na janela, observando-a, ela tentou desviar o olhar, mas a garota persistia, uma voz ecoou em sua cabeça, convidando-a para entrar, olhou para a sujeita na janela, e ela sorria de forma assustadora e convidativa, Mariana suspirou tensa e entrou na casa.Passou pelo portão, pela primeira vez sem as grandes correntes, a porta estava destrancada, entrou sem dificuldade, e enquanto subia o grande lance de escada, pensava em como estava sendo doida, a garota poderia ser uma psicopata, prestes a lhe matar, sorriu com o pensamento bobo.- Ei – disse uma voz e Mariana gelou e quase caiu da escada. Se virou e uma garota estava parada na porta da cozinha, á sua direita. - Onde está indo?- Desculpa não te vi. - Mariana desceu as escadas correndo, e parou diante da figura pálida e gélida.-Espere aqui, vou até o quarto buscar algumas caixas com decorações. – disse a menina.Ela passou por Mariana, lhe causando um arrepio tão forte quanto o que sentira ao ouvir aquele grito. Quase uma hora se passou, e nada da tal garota.-Ei, onde esta você? Não sei nem seu nome ainda, Ei- gritava Mariana.Mariana se cansou e decidiu ir atrás da tal menina, que havia seguido para uma porta alguns metros ao lado da escada, ela entrou, era apenas um quarto totalmente vazio, sem nem ao menos uma janela.Subiu as escadas com as pernas tremendo, um grande corredor se estendia. Os quartos estavam todos vazios e não tinham janelas, apenas um, que dava para rua, foi até lá, os vidros estavam abertos, colocou a cabeça para fora, não havia ninguém, nem mesmo um carro, o que não era normal para aquela agitada ruazinha.Fechou a janela, e saiu daquele quarto, parou diante do espelho no corredor, viu no reflexo a tal garota, se assustou e virou rapidamente, não havia ninguém. "Devo estar louca" resmungou indo até a escada, sem nem notar a porta ali na ponta.Desceu lentamente e ouviu um barulho, olhou para trás, não havia nada, quando se voltou, a garota estava parada no pé da escada, com o mesmo sorriso assustador.-Onde estava? - perguntou.-Onde EU estava? Procurei por você pela casa toda- retrucou Mariana se recuperando do susto.-Estava no meu quarto, como eu disse que estaria.-Seu quarto não tem nem móvel, fui atrás de você, e nos outros quartos também.-Fuçou minha casa?- os olhos da menina se arregalaram com raiva.-Me desculpa, só queria te achar.-Entrou na porta á direita da escada?-Que porta?-Nenhuma, já conhece o quarto de costura lá embaixo?-Não.Mariana ouviu aquele mesmo grito de novo, tampou os ouvidos, e se abaixou.-O que houve?- perguntou a garota.-Não ouviu esse grito?-Não. Vamos logo, venha ao quarto de costura.-Amanhã, esta bem? Amanhã eu volto.Mariana foi embora para casa totalmente atordoada e sem entender o que havia acontecido, não falou com ninguém durante o resto daquele dia.Na manha seguinte, Mariana se arrumou para a escola, e sem entender o porquê, apanhou a tal chave e colocou dentro do bolso do moletom.Fez seu caminho normal, mas parou diante do casarão, a mesma garota estava parada na janela, lhe olhando, o que a fez entender que podia entrar.Entrou, e chamou pela garota, mas ela não apareceu, subiu as escadas, e viu a porta, era a mesma do desenho que encontrou em sua blusa, ficou encarando a porta, tão atraente... Uma voz lhe ecoou novamente na cabeça, indicando a chave, Mariana tirou a pequena chavinha do bolso, e a girou, abriu!Com cuidado, girou a maçaneta que fez um barulho horrível, mas horrível mesmo foi somente a cena que viu por traz da porta. Aquela mesma garota, estava presa por uma corda em seu pescoço, com o mesmo vestido, mas dessa vez ensanguentado, seus olhos não estavam mais lá, havia um espelho na parede, onde Mariana olhou, e viu a imagem da garota como da primeira vez, com um sorriso assustador, ouviu o mesmo grito, e passos fortíssimos, as mesmas criaturas de véus negros passaram diante de seus olhos, e passaram a lhe rodear, Mariana começou a sentir seu ar faltar, e morreu ali mesmo.Ninguém achou seu corpo, mas no instituto psiquiátrico da cidade, muitos afirmam terem visto Mariana na janela do casarão sorrindo varias vezes, outros afirmam terem visto seu reflexo no espelho do mesmo casarão, outros afirmam verem-na andando pelas ruas da cidade, mas a verdade, é que ninguém sabe o que realmente aconteceu.No final das contas, Mariana e sua misteriosa amiga do sorriso assustador poderiam estar nos observando esse tempo todo, e sorrindo para nós enquanto líamos a história."


Viu? Já leu. Adiantou de alguma coi...AH MEU DEUS. Isso não pode ser verdade. Tinha uma garota ali. Você não viu? Tinha sim. 
Você acha que estou mentindo não é verdade? Não, eu não estou. Ah, para. Você realmente vai continuar a ler? Como assim não tem medo? 
Sério, acho melhor a gente sair. Eu to com medo. Por favor.
Não lê isso! Olha o nome... "A Mágica", isso é ridículo. Até parece que você vai ler algo assim.
E se for algo macabro? Por favor,não faça isso!
Eu vou sair. Tchau. Te avisei. Se quiser ficar aí, tudo bem.
Tchau.
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Você já leu alguma coisa e gostou tanto que desejou nunca ter lido só pra poder ler de novo pela primeira vez? A primeira vez é magica, certo? Não importa quantas vezes mais você leia algo, nunca será tão bom quanto.

Essa é a sua chance de ler algo realmente incrível pela primeira vez. Você só terá essa chance, então não estrague-a. Eu quero que você entenda a maioria das coisas, então terá de confiar em mim. Faça exatamente o que eu mandar.

Se você não está sozinho agora então coloque isto de lado imediatamente. A Mágica - a verdadeira mágica - é tímida. Não vai funcionar se você estiver lendo isso numa cafeteria lotada ou sentado em um trem.

Só leia a partir daqui se você estiver sozinho.

Ótimo. Já começamos.

Agora eu preciso que você faça mais algumas coisas pra mim - algumas coisas pequenas. Pense nisso como um manual de instruções, um processo que você precisa seguir se quer que algo funcione. Não quero parecer mandão ou insistente. Só quero que isso dê certo para você.

Vá para algum lugar onde você pode fechar a porta e ler isso sem ser interrompido. Não importa onde - seu quarto serve, ou um banheiro. Qualquer lugar que você possa ir sem ter alguém por perto. E como eu disse antes, feche a porta.

Talvez alguns de vocês estejam lendo isso mas não estão seguindo as instruções. Você não deseja participar? Eu lhe garanto, é melhor ser parte disto do que simplesmente ser tirado da mágica por alguém. Mas não deve ser tarde demais. Não posso prometer nada, mas se você for para algum lugar quieto agora e fechar a porta... Verei o que posso fazer.

Bem, aqui estamos nós. Ou melhor dizendo, aí está você. Espero mesmo que você esteja gostando. Eu sei que nada aconteceu ainda, mas você não está ansioso? Sua curiosidade não está ficando cada vez maior? Aproveite. Esta é a única vez em que você vai sentir o que está sentindo agora. A maravilha que está para acontecer, as meia-conclusões que você já deve ter feito - tudo isso só pode acontecer uma vez, só pode acontecer agora, só pode acontecer esta primeira vez.

Um pouco da mágica já começou. Você está sozinho em uma sala, claro, mas ao mesmo tempo está se unindo à todas as outras pessoas que já fizeram isso antes de você, e todos aqueles que farão isso depois de você. Você pode sentí-los? Talvez esteja se sentindo um pouco idiota, ou talvez privilegiado. Você é parte de uma multidão invisível, unida fora do tempo, lendo as mesmas palavras.

Não se preocupe, este não é o clímax, e certamente não é uma piada. Não estou aqui para perder seu tempo com conversas sobre metafísica. E para provar isto, vamos seguir adiante.

Acredito que tenha uma luz na sala que você escolheu senão não teria como ler isto, certo?

Vamos lá, você pode me responder se eu lhe perguntar algo! Na verdade, você precisa me responder se você quer que isso funcione. Vou perguntar de novo. E desta vez, responda. Alto e claro, não tenha medo. Só diga “Certo”.

Agora, vamos todos participar. Tudo que eu quero é uma palavrinha falada em troca de todas as palavras que lhe dei até agora. Lembre-se, eu estou fazendo isso por você - está é sua única chance e eu quero que funcione.

Responda à minha pergunta.

Muito bem! Você deve ter se sentido meio bobo por dizer em voz alta mas não tem ninguém aí para te ouvir e que mal pode ter sido feito? Agora você pode continuar a aproveitar, sabendo que você seguiu as instruções perfeitamente. E quando você segue as instruções perfeitamente, as coisas tendem a funcionar.

Faça o que for possível para deixar seu quarto o mais escuro possível, deixando apenas o suficiente para que você possa ler estas palavras. Feche as cortinas, apague a luz e ligue uma luminária. Melhor ainda, acenda uma vela ou leia com a chama de um isqueiro. Eu odeio ter que ficar repetindo, mas vai ser melhor se você fizer o que eu digo. Seria uma tristeza se perder agora que você já chegou tão longe.

Permita-me descrever o cenário. É meio estranho, não é? Devemos ter um momento para considerar? Normalmente, quando você lê alguma coisa, a cena é descrita para que se possa imaginar, mas aqui está você lendo sua própria cena, na qual você está sentado em uma sala escura, sozinho, lendo o que quer que tenha te trazido para esta mágica. Que colocações poderosas! Quando você era pequeno, já se imaginou sendo um personagem de um livro ou filme e que milhões de pessoas liam sobre você e viam seus feitos? Talvez a intenção era que fosse real?

Digo que não se preocupe, está não é a mágica de que lhe falei antes.

Isso, aproveite o momento. Aqui vai. Aqui vai a mágica.

Agora, rapidamente, levante-se de sua cama, cadeira, ou lugar contra a parede. Levante-se e ande até a porta que você fechara há alguns minutos atrás. Coloque seu ouvido contra a porta e escute. Prenda sua respiração.

Bem, me pergunto se você consegue me ouvir.

Ok, vamos expandir a cena que descrevi um momento atrás. Você lembra, aquela com você lendo numa sala escura. Sim, bem, fora daquela sala, do outro lado da porta fechada, alguém que você não pode ver está parado ali. Sou eu. Me pergunto se você consegue advinhar meu nome. Uma pequena parcela do se subconsciente já deve ter registrado as primeiras letras dos últimos cinco parágrafos que você leu e o que eles soletram. É o mais perto que tenho de um nome.

Você pode me ouvir respirar? Não? Talvez eu esteja prendendo minha respiração também, com a orelha pressionada contra a porta, tentando ouvir você.
Ou provavelmente há um último passo, uma última instrução que você precisa seguir para fazer esta mágica funcionar.

Me convide para entrar.

Vamos lá, não reclame! Você já falou comigo antes quando respondeu minha pergunta sobre a luz. Tudo que você precisa fazer é me deixar entrar. Veja bem, eu sei que você está aí, sozinho no escuro. E tudo que eu quero provar é que a mágica funciona.

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Bons sonhos...
*Tranque a porta*